quarta-feira, 11 de junho de 2014

Até que a morte os separe!?

Imatura, muito jovem, tive poucos namorados, todos apaixonados, mas eu não conseguia correspondê-los, pensava por vezes, nunca amarei alguém, não consigo me entregar, entrar de cabeça, doar meu coração.

Ouvia musicas de amor, evangélicas especialmente e pensava: “não, Deus reserva um amor para cada pessoa, e nos amaremos assim, como dizem as musicas, como nos contos”. Novelas? Não, o amor das novelas de hoje, ninguém mais deseja, cheios de mentiras, adultérios e conflitos eternos.

Um dia, já desistindo (pensamos que a vida é curta demais aos 20 anos), conheci uma pessoa, ele se mostrou interessado, eu desconfiada como sempre, ele me pede em namoro, aceito, e por que não?

Digo a mim mesma, eu vou entregar-me, dessa vez será diferente, e faço, entro de cabeça e sem medo, incrível, mas dessa vez sinto que começo a viver o contrário que já tinha vivido antes, parece que quanto mais me entregava, mais ele parecia frio, distante. Pouco tempo depois e me pede em casamento, ahhh, coisas da minha cabeça, ele me ama, aceito claro.




Casamento, lua de mel, filhos, dias, meses, anos, o amava eu sei, não era recíproco, eu sentia, eu não queria acreditar, eu lutava, eu precisava, eu queria muito, não podia acreditar que ele não era o escolhido de Deus para mim, eu escolhi, Deus concordou com certeza, acho que sim, pensava.

Perdi minha identidade para tentar viver a dele, perdi minha autoestima, meu amor próprio, não era possível me sentir tão só estando tão perto, ali na mesma cama, na mesma casa.
Olhava os móveis, nossas fotografias de casamento, fotos de viagens, dos filhos espalhados pela casa e pensava, tenho que conseguir sobreviver a tudo isto, não me casei para divorciar-me, mas não estava feliz, cheguei a pedir amor, carinho e atenção, mas com o tempo descobri que este tipo de coisa se não é dado voluntariamente, de nada serve.

O amor foi morrendo, dia após dia, isto era possível? Disseram-me que o amor nunca acabava, como pode?

Sim, exatamente como a flor sem água e sem cuidados o amor morre também, pétala por pétala cai, sem poder ser restituída, foi morrendo o sentimento e fui redescobrindo quem eu era antes, me amando um pouco mais a cada dia. Passei a olhar a casa, os móveis e as fotografias e perceber que o apego que antes sentia se transformou em um grande desejo de mudança, de viver além das aparências de família feliz registrada nas fotografias das redes sociais.


E assim, quinze anos depois, o laço mal feito se desfez de vez, decidi por fim, decidi ser feliz, decidi que mereço mais, mais vida, mais carinho, mais respeito, mais companheirismo, mais amor, mais paz, mais.....
Fácil não foi, não está sendo, mas tenho certeza que foi a melhor coisa que já fiz por mim mesma.

Hoje, não acredito mais no amor eterno, nem sei se no amor acredito, contos de fadas ficam melhores nos livros.
Pode ser que um dia eu mude de opinião, não sei, mas hoje, só quero não precisar de ninguém além de mim mesma pra ser feliz, se alguém aparecer pra acrescentar, ótimo, se não, que eu saiba viver bem com minha própria companhia.

Às vezes achamos que já sabemos tudo, em especial nos relacionamentos, mas sempre seremos ignorantes. Bom, que eu possa acertar mais que errar, em especial fugir da tendência que temos de cair no mesmo erro.

Outro dia uma amiga me disse que queria se separar, mas não tinha coragem mesmo sendo tão infeliz, só pude dizer a ela que um dia se acontecesse, ela terá dentro de si uma força e uma certeza tão grande, que nada, filhos, posses, sociedade, nada será desculpa pra ela deixar o morto e correr para a vida.

Não me casei pra me separar, mas me casei pra ser feliz, o sentimento de derrota se misturou a um sentimento de coragem e esperança.
Esperança numa vida nova, de novas possibilidades, de novas descobertas, é disso, de ser feliz é que não devemos desistir jamais.

Crisllei Dias


Sabe qual é a pior parte de você gostar de alguém? É aquela em que a pessoa nem lembra que você existe, você está sempre ali, esperando um pequeno gesto, uma pequena palavra e isso nunca vai acontecer porque ela não te vê, e por mais que você faça e por mais que você queira isso nunca vai realmente acontecer, e não sabemos se seguimos ou ficamos ali parados esperando, eu sinceramente cansei de esperar e decidi seguir sem olhar para trás, cansei das migalhas, cansei dos restos, decidi que ser sozinha não é a pior coisa do mundo, ser um ser só, é melhor do que ser um par sem par.


Marcia Cristina


sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Uma Nova Mulher

Que venha essa nova mulher de dentro de mim
Com olhos felinos, felizes e mãos de cetim
E venha sem medo das sombras
Que rondam o meu coração
E ponha nos sonhos dos homens
A sede voraz da paixão
Que venha de dentro de mim ou de onde vier
Com toda malícia e segredos que eu não souber
Que tenha o cio das onças
E lute com todas as forças
Conquiste o direito de ser
Uma nova mulher
Livre, livre, livre para o amor
Quero ser assim, quero ser assim
Senhora das minhas vontades e dona de mim
Livre, livre, livre para o amor
Quero ser assim, quero ser assim
Senhora das minhas vontades e dona de mim
Que venha de dentro de mim ou de onde vier
Com toda malícia e segredos que eu não souber
Que tenha o cio das onças
E lute com todas as forças
Conquiste o direito de ser
Uma nova mulher
Livre, livre, livre para o amor
Quero ser assim, quero ser assim
Senhora das minhas vontades e dona de mim
Livre, livre, livre para o amor
Quero ser assim, quero ser assim
Senhora das minhas vontades e dona de mim
Que venha essa nova mulher de dentro de mim
Que venha de dentro de mim ou de onde vier
Que venha essa nova mulher de dentro de mim


 Crisllei Dias

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Quem levou o nosso livre arbítrio?

Ela estava crescendo, cada vez mais buscava seu espaço. Mesmo com as limitações da família, ela lutava, corria atrás. Brigou pelo seu primeiro amor, ele tinha o dobro de sua idade, mas ela não se sentia como as outras adolescentes de 15 anos. Ela queria sua formatura e foi trabalhar, fez bicos nos finais de semana, realizou seu sonho. Ela foi estudar magistério, mas se arrependeu, voltou atrás no meio do semestre, decidiu estudar à noite e trabalhar fora. Todos diziam, você não irá acompanhar a turma, mas ela insistiu, no primeiro dia chorou ao ver um prova que nada tinha com o outro curso que fazia, resolveu pegar os cadernos dos colegas, e mesmo sem internet aprendeu sozinha, física, química biologia e as várias equações de matemática. Surpreendeu a todos.
E então ela conheceu algo que mudou sua vida, ela conheceu a Jesus.

Uma amiga havia lhe explicado coisas que ela nunca entendia sobre Deus Pai, Filho e Espírito Santo, resolveu ler a Bíblia, e a devorava, fazia lista de perguntas à amiga, que com sabedoria lhe explicava.
Sua mãe foi contra, ela devia seguir a religião da família que era católica, mas ela foi em frente e não foi fácil.
Mas mesmo feliz e apaixonada por Cristo, a igreja a qual começou a frequentar lhe impôs de forma “discreta” que agora ela não tinha mais controle de sua vida, o centro deveria ser Deus, ela não poderia ir para esquerda e nem para direita sem antes ter certeza que era isso que Deus queria para a vida dela.
E a jovem decidida se tornou uma jovem indecisa.




Sua mãe a lembrava muitas vezes: “como pode ficar assim, você sempre foi decidida e corria atrás dos seus sonhos, mesmo que eu como mãe não concordasse, agora tudo precisa jejuar e orar dias e dias pra saber o que fazer”.
Deus não é assim. Ele deu ao homem poder para reinar sobre a terra, deu a ele o livre arbítrio, mas os líderes cristãos, que precisam direcionar “suas ovelhas” como quem leva o boi ao matadouro, precisam ter o controle sobre suas vidas, e então tiram  a nossa voz, o poder de escolha que nos foi dado pelo próprio Deus.
E querendo agradar a Deus, obedecemos aos homens.

Não meus queridos, não se esqueça da autoridade que foi nos dada por Ele, você quer, corra atrás, estude, invista, bata o pé, e Deus vai contigo, se não der certo, não é porque Deus te castigou, mas porque você aprenderia para usar sua experiência em algo maior e melhor.

Hoje a jovem mulher não mais acredita num Deus tirano, acredita num Deus de amor que quer a nossa felicidade.
Acredite você também, seja feliz!



Para a liberdade foi que Cristo nos libertou. Permanece, pois, firmes e não vos submetais de novo a jugo de escravidão (Gl.5.1)
Crisllei Dias



domingo, 26 de janeiro de 2014

E ela era só uma menina

Ela era uma menina sonhadora.
Vivia fantasiando em suas brincadeiras, príncipes, castelos, amores.
Lembra-se de sua mãe dizer: “Essa menina anda com a cabeça na Lua. Essa menina fala sozinha, brinca sozinha”.


Ela lembra que nos afazeres domésticos, divididos igualmente com suas irmãs, todas terminavam rapidamente pra brincar com suas bonecas, mas ela não, ela levava horas entre vassouras e espanador de pó sonhava, brincava e até se fantasiava, criava seu próprio mundo.
Era meiga e carinhosa, mas também geniosa, pelo menos era o que diziam. Deve ser porque é de escorpião, pessoas com esse signo são assim, não aceitam o não como resposta além de terem resposta pra tudo.
Se irritava, reclamava, ela ficava assim quando não a entendiam, quando ela tentava explicar mas a interrompiam ou zombavam dela. Por isso a apelidaram de “Sargento Megera”, um personagem antigo do Popeye que tinha os nervos a flor da pele. Lembra-se de, por vezes, receber ordens de sua mãe e questionar:
- Mas porque eu mãe? Mas por que tem que ser assim?
- Porque eu estou mandando menina.
- Mas mãe....
- Não existe mas... faça o que falei e ponto. Chega, chega, cale a boca e faça.
Ela saia batendo os pés, a mãe a chamava de volta:
- Venha, agora vá andando como uma moça delicada.


Ela ia, andando devagar, mas “por dentro” fazia caretas e xingava palavrões.


E assim ela cresceu, sonhando e fantasiando, falando consigo mesma, pisando forte e xingando palavrões por dentro.



Crisllei Dias

sábado, 18 de janeiro de 2014

A Auto Sabotagem

Outro dia, eu estava passando por uma situação delicada. Ela me angustiava, me entristecia, me incomodava. Uma situação que no passado me deixava feliz, de repente tornou-se algo pesado e sufocante.
Para por um fim a ela, era muito fácil: bastava dizer não, virar as costas e simplesmente sumir, seguir adiante e esquecer.
Mas ao invés disso, eu me SABOTAVA.
Nossa, que palavra horrível não? Como pode alguém em sã consciência se auto sabotar?
E o que é sabotar?
Segundo o dicionário sabotar é danificar intencionalmente algo.
Danificar, prejudicar, estragar, deteriorar.
Nossa! Quantos adjetivos há nesta palavra, e era exatamente isso que eu estava fazendo comigo.
Incrível como podemos, diante de algumas situações, nos permitir sabotar e pior, conscientemente. Sim, porque eu sabia exatamente o que eu deveria fazer, eu sabia exatamente como deveria me posicionar, eu não precisava perguntar a ninguém e se o fiz, recebi deles as mesmas instruções de como agir.
Mas eu não conseguia, talvez eu pensasse que algo podia mudar, como no passado, que um milagre poderia acontecer. Eu sabia que nada mudaria, mas eu queria me enganar.
Então um dia parei pra pensar sobre isso, se era somente naquela situação que eu fazia isso, para minha tristeza percebi que não.
Sabotava-me na dieta;
Sabotava-me nos projetos de estudo;
Sabotava-me nos cuidados com a saúde;
Sabotava a minha felicidade, a minha liberdade a minha capacidade de ser o que eu era para o  que os outros queriam que eu fosse.

No final, eu percebi que apesar de tudo, ter consciência disso era bom, porque assim eu poderia tomar outro rumo, como um viciado que só aceita ajuda quando quer e não quando os outros dizem que ele precisa.
Consegui! Sair da situação não foi fácil, encarar a realidade posta a minha frente me machucou, mas precisava por um fim, dizer não, virar as costas e simplesmente sumir, seguir adiante e esquecer.
Infelizmente eu sei que ainda haverá pelo caminho outras auto sabotagens, só espero não demorar tanto para por fim a elas.
É preciso nos amarmos, é preciso nos respeitarmos, é preciso amadurecermos, é preciso enfrentar a realidade, é preciso ser feliz.
Olho pra trás e vejo quanta perda de tempo e energia, quantas coisas deixei de fazer para me punir por nada.
Mas olho pra frente e vejo que ainda posso correr atrás do tempo perdido e crescer, coração mais leve, sem pesos desnecessários. 
Virar a página

“Viver e não ter a vergonha de ser feliz”

Crisllei Dias



domingo, 5 de janeiro de 2014

Ela...

Ela observa, ela silencia, ela ataca... tudo atentamente. Ela fala coisas sábias, certas, auxilia quem precisa das suas palavras, diz NÃO para quem precisa de um não, e encoraja quem precisa de animo. Ela tem a voz alta, não precisa falar duas vezes. Seu olhar é de quem esta sempre focando.

Ela pensa demais, está ligada na tomada é agitada até mesmo quando dorme, seus sonhos são sempre em exagero, nunca um só, ela viaja muito deitada em sua cama. Ela sorri por coisas bobas e chora a toa, é incrível, é um ser sensível... Ela está sempre ouvindo as mesmas musicas, pois são nelas que ela encontra as palavras certas que gostaria de dizer.

Ela lembra do passado e gosta, não é do tipo de se arrepender do que faz, pois tudo que ela faz é com muita certeza. Ela vive o presente com todo o seu gás, espera o futuro sem pressa, mas corre quando percebe que as coisas não estão acontecendo como ela gostaria. 

Ela Idealiza, deseja muito algo e atrai tudo o que deseja para perto de si, ela tem este dom, e quando ela atrai, se foi bom, ela deseja mais ainda e atrai de novo, quantas vezes forem necessárias até que a sua vontade seja cumprida, satisfeita. 

Ela vive de encontros e desencontros, de muitos sonhos e não gosta de pesadelos, ela tem certeza de que o bem sempre vence o mal. Ela tem um energia que se abastece com o calor, quando ela satisfaz as suas necessidades, quando ela se desapega do que não faz bem, ela deixa de lado tudo o que causa atrasos e se mantem junto ao verdadeiro, talvez não o melhor para aquele momento, mas ela se apega somente ao que tem que ser e quem reconhece o seu valor. 

Ela vê um mundo todo acontecendo, girando cada vez mais rápido... e no fundo ela sabe... ou acompanha este ritmo e aumenta os seus passos, ou ficará para trás, e sabe o trabalho que dá depois pra voltar ao estado atual. Ela evita deixar coisas soltas no ar, ela prefere pegar e cuidar.

Ela vive se frustando, quebrando a cara, se decepcionando com a frieza das pessoas. Ela tem tanto amor, tanto carinho, tanta atenção para dar que se sente estranha perto de quem não tem nada para oferecer.

Ela é simples demais, ela não deseja o mal, não tem inveja e nunca conseguiu guardar ódio em seu coração. Ela é equilibrada naquilo que acredita ser e serena ao manter quando algo vai bem. 

Ela sabe que tem um espirito de proteção, um instinto de guerreira, e encontra sempre uma razão, um argumento para ser como ela é. Não são todos que a compreende, mas o importante é ela ser leal a ela, aos seus sentimentos. 

Ela não julga, pois sabe que TODOS, cada um tem um erro, um ponto a ser tratado e melhorado. Ela continua sempre de onde começou, sem meios termos ela é intensa e não fica olhando somente do vidro... ela passa do lado de lá. 

Ela é sim uma eterna sonhadora, mas acredito que pra ela mudar esse jeito de ser, somente se ela nascesse de novo. Ela é boa no que faz, ela não busca perfeição, mas busca se encontrar sempre com o seu melhor e ficar do lado do que a faz feliz.
Thaís Fernanda


Crisllei Dias

sexta-feira, 28 de junho de 2013

O medo do outro lado da linha

A gente nunca acredita que acontecerá com a gente até que acontece. A gente nunca imagina que irá cair no golpe, depois de assistir no jornal tantas pessoas que caíram, mas cai.
Uma e meia da madrugada de quarta-feira, do dia 26 de junho de 2013, um dia tumultuado. Eu estava cansada e decepcionada com algumas coisas do trabalho. O telefone toca, uma chamada a cobrar, pensei em não atender, mas ao 3º toque atendi. Pensei: vou ouvir a voz e se não reconhecer, desligo imediatamente, mas “reconheci”; a voz feminina do outro lado parecia ser a da minha irmã que chorava, dizendo que havia acontecido algo horrível e que acabara de ser assaltada. Com o aperto no meu peito e involuntariamente, chamei por seu nome e ela confirmou. Perguntei onde estava e ela disse que no carro e chorando muito dizia que o assaltante queria falar comigo.
Quase que meu coração saiu pela boca ao ouvir ele me dizer que não queria machucá-la, mas que se eu não colaborasse, ele a mataria.
Foram pelo menos dez minutos de total desespero, entre ameaças, cobranças de dinheiro e palavras de baixo calão, as quais ele usava para me xingar. Desesperada sem saber se era um trote como daqueles que vemos na TV ou realidade, quais também assistimos pela TV, fiquei dividida, acordei meu marido e pedi, sem que o bandido percebesse, para que ele ligasse para minha irmã, atordoado também pela hora e pelo meu desespero, não conseguia contato com ela.
O medo e o terror me dominavam a cada tentativa de contato frustrado, e só depois de muito insistir com o homem do outro lado da linha, ele me deixou falar com a minha suposta irmã, respirei fundo e tentei prestar atenção a sua voz.
Não, quase certo, não era ela. Ao falar novamente com o criminoso, eu disse a ele: não, esta não é minha irmã. Ele se  revoltou e ameaçou  matar toda minha família. Paralisei, não falava, só o ouvia. Ele disse: já que não responde, vou estourar a cabeça dela. E então desligou o telefone.
Consegui com dificuldade ligar para minha irmã que demorou a atender, porque graças a Deus estava dormindo. E ao ouvi-la cai em soluços, em choque, com um  sentimento de alivio e medo.
Refém, parecia que era eu a ter a arma apontada na minha cabeça. Sentimento de medo, de raiva, de impunidade, de fraqueza, era tantos os pensamentos. Enquanto o ouvia, um filme de lembranças da minha irmã passava pela minha cabeça.
Depois de tudo terminado, foi difícil dormir. Eu o ouvia. Queria poder ir até ele e matá-lo da mesma maneira que ele ameaçou matar minha irmã, cortando devagar  cada um de seus membros.


Fiz um boletim de ocorrência pela internet que foi negado. Conversei com um policial que me disse que ele provavelmente ligou do presídio e que a voz feminina deveria ser de um travesti.
Então é um trote e para trotes não se pode fazer nada. Como um presidiário pode continuar cometendo crimes e a policia saber disso e  nada fazer?
Quando vejo ONGs que defendem criminosos, policiais punidos por matar estes, vejo valores trocados. Estamos vulneráveis, mesmo dentro da nossa casa com portas fechadas, nas ruas não se pode andar, aos bancos não se pode ir, nos sentimos cercados, violados, ameaçados. Quando isso terá fim, se terá? Quando veremos na TV a impunidade ser coisa do passado? Nunca pensei em pena de morte, mas queria para esses que me ligaram na madrugada. Agora quero para todos, todos que ameaçam, que roubam, que matam, que estupram. Não há crime menor ou maior, há criminosos capazes de só com sua voz matar uma pessoa do coração. Se o sistema não é capaz de mantê-los longe de nossas vidas, mesmo estando presos, que garantia temos nós?  É fácil quando se diz, desligue e não atenda, pensei que fosse fácil, pensei que seria capaz de dominar minha emoção, mas não foi, foi triste, tenebroso, assustador.
Deixo meu relato de desabafo, de alerta, de indignação.
Sou cidadã que exige do Governo, do Sistema, providências, segurança e punição.
Crisllei Dias.




quarta-feira, 1 de maio de 2013

Eu comigo mesma

Por hoje, eu só queria ficar comigo mesma.

Por hoje, eu só queria sair, andar pelas ruas de um lugar que nunca vi antes, mas que não me perdesse para poder achar o caminho de volta à rotina.
Por hoje, queria uma roupa confortável e leve, um sapato baixinho, deixar meu cabelo solto ao vento, talvez uma flor do lado pra exaltar ainda mais sua beleza crespa.
Por hoje, queria sentir o vento tocar em meu rosto, ouvir minhas músicas prediletas num fone, parar numa praça e me sentar para ver as crianças se divertindo sem pressa e achar graça.
Por hoje, queria parar numa lanchonete com mesas nas calçadas e experimentar um café com pão de queijo. 

Queria me demorar ali lendo um livro.
Por hoje, queria não ser interrompida nos meus pensamentos e devaneios. Queria este momento comigo mesma, só eu e eu mesma
Por hoje, queria viver um dia especial pra mim, sem cobranças, sem pressa para hora do trabalho, hora do almoço das crianças, horas de por a roupa na máquina, hora de estudar, hora disso e hora daquilo. Meus dias tem sido assim, cronometrados, para não me perder no meio do caminho e acumular afazeres, e ainda assim quando olho pra traz, percebo que deixei muitas coisas no meio do caminho.
Queria por hoje esquecer todos esses compromissos, dívidas, frustrações, compromissos, tudo e simplesmente relaxar, curtir cada minuto e cada paisagem, curtir a minha companhia que é tão agradável e é uma pena que não tenho estado com ela, sinto saudades.
Será que ainda seria possível me concentrar só em mim mesma, ou antes, precisaria de umas aulas de concentração para aprender a focar num único ponto. Tantas coisas na minha cabeça ao mesmo tempo que já nem sei.
Ahhhh não acredito aqui eu novamente querendo arrumar mais um compromisso. Parece que a gente se habitua tanto com isso que não nos damos o direito de relaxar, até prazeres como ler um livro, escrever, nadar, correr, o que começa como hobby acaba se tornando obrigação. Que raiva tenho disso.
Mas por hoje não, hoje não quero nada, só me sentir, me curtir, sem pressa, sem cobrança e sem lembranças, sem horários, só eu comigo mesma.
SÓ ISSO.

Crisllei Dias.


domingo, 28 de abril de 2013

Musicas que falam com a gente 1



É pena que você pense
Que eu sou seu escravo
Dizendo que eu sou seu marido
E não posso partir
Como as pedras imóveis na praia
Eu fico ao seu lado sem saber
Dos amores que a vida me trouxe
E eu não pude viver
Eu perdi o meu medo
O meu medo, o meu medo da chuva
Pois a chuva voltando
Pra terra traz coisas do ar
Aprendi o segredo, o segredo
O segredo da vida
Vendo as pedras que choram sozinhas
No mesmo lugar
Eu não posso entender
Tanta gente aceitando a mentira
De que os sonhos desfazem aquilo
Que o padre falou
Porque quando eu jurei meu amor
Eu traí a mim mesmo, hoje eu sei
Que ninguém nesse mundo
É feliz tendo amado uma vez...
Uma vez
Eu perdi o meu medo
O meu medo, o meu medo da chuva
Pois a chuva voltando
Pra terra traz coisas do ar
Aprendi o segredo, o segredo
O segredo da vida
Vendo as pedras que
Choram sozinhas no mesmo lugar
Vendo as pedras que
Choram sozinhas no mesmo lugar
Vendo as pedras que
Sonham sozinhas no mesmo lugar

domingo, 14 de abril de 2013

Estou na moda se não sou homofóbico?

Engraçado como se tem discutido tanto a homofobia nos últimos dias, assim como racismo . Não acho isso de todo ruim, pelo contrário, quanto mais falamos no assunto mais podemos nos posicionar diante dos fatos e em especial ouvir todos os lados.
O que na verdade me choca é que quando se defende uma ideia ou posição, principalmente nas redes sociais, temos sempre a tendência de culpar alguém ou mostrar que tal fato é discriminação, notaram?
Vamos começar falando do racismo, por exemplo. Outro dia vi numa novela global (“Lado a Lado”), que tratava exatamente da questão, o ator Lázaro Ramos (Zé Navalha) dizendo ao amigo: “Você não pode jogar futebol, isso é coisa de branco”, isso enquanto ele julgava o amigo por ter pintado a cara com pó branco para poder jogar (mesmo tendo este no meio do jogo limpado o rosto e competido até o fim) . A questão era:  nós somos negros, lutamos pelos nossos direitos, mas não nos metemos em coisa de branco.


Outro dia uma amiga entrou num grupo fechado de uma rede social que falava sobre o Futebol Americano e sobre os jogadores do time  que ela é fã. Foi discriminada pelas mulheres negras do grupo por ela ser muito branca, bem tipo: “Sai daqui e não roube nossos negros, você já tem os seus brancos”.  Que lástima, não?
Uma amiga negra que se estava apaixonando por um negro me disse: “Não quero gostar dele, não é porque sou negra que devo casar com negro.” Concordo, mas por que ela tem que se apaixonar pela cor e não por um homem que também estava apaixonado por ela?
Amigas japonesas passaram pelo mesmo problema. Elas não podiam se apaixonar por homens que não fossem japoneses pelo simples fato da família, ou elas mesmas, não aceitarem.
Então quer dizer que os brancos não devem julgar os negros, mas os negros podem julgar os brancos? São cotas em novelas, comerciais e faculdades para nós, negros (sim me incluo aí, apesar de nunca ter usado tal artifício para conquistar meus direitos). Sinto dizer, mas a meu ver as cotas só são mais um meio de separação, onde as pessoas são julgadas a merecer tais créditos pela cor e não por sua capacidade em estudar e se preparar para devido cargo, papel ou vaga.
Agora a bola da vez é a homofobia. Acredito que ninguém está livre de se apaixonar por uma pessoa do mesmo sexo, e por conta de um Feliciano que diz não aceitar porque “ele é evangélico”, se formou outro grupo de pessoas que estão sofrendo preconceito por defender sua fé, são os “evangelhofobia”. Basta dizer “sou evangélico” que vem a frase: “então você é homofóbico”.
Não, nem todos os evangélicos o são. Muitos respeitam as opções sexuais dos outros e só querem ensinar a seus filhos que Deus fez o homem pra mulher e a mulher para o homem.
O que tenho visto nas redes sociais é uma briga sem sentido entre sexos, raças e religiões, assim como se briga por partidos políticos e times de futebol.
O que quero é meu direito de ser respeitado e o dever de respeitar o próximo.
O que quero é olhar para o outro e ver mais um ser humano, não mais uma cor, uma religião ou sua opção sexual.
Levantar uma bandeira de igualdade dividindo é lastimável. Ninguém muda a opinião de ninguém com insultos, ofensas, violência seja ela de que tipo for.
Acordem meu povo.

Por Crisllei Dias.