domingo, 14 de abril de 2013

Estou na moda se não sou homofóbico?

Engraçado como se tem discutido tanto a homofobia nos últimos dias, assim como racismo . Não acho isso de todo ruim, pelo contrário, quanto mais falamos no assunto mais podemos nos posicionar diante dos fatos e em especial ouvir todos os lados.
O que na verdade me choca é que quando se defende uma ideia ou posição, principalmente nas redes sociais, temos sempre a tendência de culpar alguém ou mostrar que tal fato é discriminação, notaram?
Vamos começar falando do racismo, por exemplo. Outro dia vi numa novela global (“Lado a Lado”), que tratava exatamente da questão, o ator Lázaro Ramos (Zé Navalha) dizendo ao amigo: “Você não pode jogar futebol, isso é coisa de branco”, isso enquanto ele julgava o amigo por ter pintado a cara com pó branco para poder jogar (mesmo tendo este no meio do jogo limpado o rosto e competido até o fim) . A questão era:  nós somos negros, lutamos pelos nossos direitos, mas não nos metemos em coisa de branco.


Outro dia uma amiga entrou num grupo fechado de uma rede social que falava sobre o Futebol Americano e sobre os jogadores do time  que ela é fã. Foi discriminada pelas mulheres negras do grupo por ela ser muito branca, bem tipo: “Sai daqui e não roube nossos negros, você já tem os seus brancos”.  Que lástima, não?
Uma amiga negra que se estava apaixonando por um negro me disse: “Não quero gostar dele, não é porque sou negra que devo casar com negro.” Concordo, mas por que ela tem que se apaixonar pela cor e não por um homem que também estava apaixonado por ela?
Amigas japonesas passaram pelo mesmo problema. Elas não podiam se apaixonar por homens que não fossem japoneses pelo simples fato da família, ou elas mesmas, não aceitarem.
Então quer dizer que os brancos não devem julgar os negros, mas os negros podem julgar os brancos? São cotas em novelas, comerciais e faculdades para nós, negros (sim me incluo aí, apesar de nunca ter usado tal artifício para conquistar meus direitos). Sinto dizer, mas a meu ver as cotas só são mais um meio de separação, onde as pessoas são julgadas a merecer tais créditos pela cor e não por sua capacidade em estudar e se preparar para devido cargo, papel ou vaga.
Agora a bola da vez é a homofobia. Acredito que ninguém está livre de se apaixonar por uma pessoa do mesmo sexo, e por conta de um Feliciano que diz não aceitar porque “ele é evangélico”, se formou outro grupo de pessoas que estão sofrendo preconceito por defender sua fé, são os “evangelhofobia”. Basta dizer “sou evangélico” que vem a frase: “então você é homofóbico”.
Não, nem todos os evangélicos o são. Muitos respeitam as opções sexuais dos outros e só querem ensinar a seus filhos que Deus fez o homem pra mulher e a mulher para o homem.
O que tenho visto nas redes sociais é uma briga sem sentido entre sexos, raças e religiões, assim como se briga por partidos políticos e times de futebol.
O que quero é meu direito de ser respeitado e o dever de respeitar o próximo.
O que quero é olhar para o outro e ver mais um ser humano, não mais uma cor, uma religião ou sua opção sexual.
Levantar uma bandeira de igualdade dividindo é lastimável. Ninguém muda a opinião de ninguém com insultos, ofensas, violência seja ela de que tipo for.
Acordem meu povo.

Por Crisllei Dias.

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