Ela era uma menina sonhadora.
Vivia fantasiando em suas brincadeiras, príncipes, castelos, amores.
Lembra-se de sua mãe dizer: “Essa menina anda com a cabeça na Lua. Essa
menina fala sozinha, brinca sozinha”.
Ela lembra que nos afazeres domésticos, divididos igualmente com suas
irmãs, todas terminavam rapidamente pra brincar com suas bonecas, mas ela não,
ela levava horas entre vassouras e espanador de pó sonhava, brincava e até se
fantasiava, criava seu próprio mundo.
Era meiga e carinhosa, mas também geniosa, pelo menos era o que diziam.
Deve ser porque é de escorpião, pessoas com esse signo são assim, não aceitam o
não como resposta além de terem resposta pra tudo.
Se irritava, reclamava, ela ficava assim quando não a entendiam, quando ela tentava explicar
mas a interrompiam ou zombavam dela. Por isso a apelidaram de “Sargento
Megera”, um personagem antigo do Popeye que tinha os nervos a flor da pele.
Lembra-se de, por vezes, receber ordens de sua mãe e questionar:
- Mas porque eu mãe? Mas por que tem que ser assim?
- Porque eu estou mandando menina.
- Mas mãe....
- Não existe mas... faça o que falei e ponto. Chega, chega, cale a boca e
faça.
Ela saia batendo os pés, a mãe a chamava de volta:
- Venha, agora vá andando como uma moça delicada.
E assim ela cresceu, sonhando e fantasiando, falando consigo mesma,
pisando forte e xingando palavrões por dentro.
Crisllei Dias






